Musicas

DVD e CD ao vivo eternizam histórias e canções da vida fenomenal de Bibi


A edição do show Bibi – Histórias & canções em DVD e CD ao vivo – lançados pela gravadora Biscoito Fino no fim deste ano de 2017 em edições vendidas de forma avulsa – chega ao mercado fonográfico com atraso na cronologia da vida de Bibi Ferreira, atriz e cantora carioca que atualmente contabiliza incríveis 95 anos, sendo 76 dedicados com disciplina à arte de representar.

Afinal, o show Bibi – Histórias & canções – a rigor, um desdobramento de espetáculos anteriores da artista, como De Pixinguinha a Noel, passando por Gardel (2010) e Bibi in Concert IV – Histórias e canções (2011) – ganhou em 2012 a forma sinfônica captada há quase cinco anos para o DVD e o CD ao vivo em apresentações feitas pela intérprete sob a direção de João Falcão em 22 e 23 de março de 2013 no Palácio das Artes, em Belo Horizonte (MG), com a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, regida pelo maestro Flavio Mendes.

De lá para cá, Bibi já fez show com o repertório do cantor norte-americano Frank Sinatra (1915 – 1998) e, atualmente, está em cena com Por toda a minha vida – La dernière tournée, espetáculo retrospectivo que acaba de encerrar temporada na cidade do Rio de Janeiro (RJ) e que continuará em cartaz ao longo de 2018.

De todo modo, o DVD e CD ao vivo Bibi – Histórias & canções chega ao mercado em tempo de eternizar os relatos e as músicas que pautam o canto dessa imortal estrela dos palcos brasileiros. Valorizada pela bela luz criada por Paulo César Medeiros para o show sinfônico, a gravação ao vivo flagra Bibi com jovial vigor interpretativo. Por mais que a voz já não tenha toda a carga dramática de tempos idos, há um fio nessa voz que costura com teatralidade as músicas do roteiro urdido pela própria Bibi.

Esse roteiro parte da lembrança de uma Hollywood ainda romântica, evocada em By a waterfall (Sammy Fain e Irving Kahal, 1933), e culmina com as canções do repertório de Edith Piaf (1915 – 1963), cantora francesa que reencarna na pele e na voz de Bibi desde o espetáculo Piaf – A vida de uma estrela da canção (1983), um dos pontos mais luminosos da gloriosa trajetória da intérprete carioca nos palcos brasileiros. Com autoridade de quem soube ser Piaf, Bibi dá voz ao hino La vie en rose (Louis Gugliemi e Edith Piaf, 1945), à lépida À quoi ça sert l’amour (Michel Emer, 1962) – em afetuoso dueto com Nilson Raman – e, claro, a Non, je ne regrette rien (Michel Vaucaire e Charles Dummont, 1956), espécie de testamento que serve tanto para Piaf quanto para Bibi.

Entre proezas como cantar a ária Brindisi, da ópera La traviata (Giuseppe Verdi, 1853), com a letra do samba Palpite infeliz (Noel Rosa e Vadico, 1934), Bibi revive standards das trilhas sonoras dos musicais que encenou no Brasil. O medley com Sonho impossível(The impossible dream) (Joe Darion e Mitch Leigh, 1965, em versão em português de Chico Buarque e Ruy Guerra, 1972), O Homem de la Mancha (Man of the la Mancha) (Joe Darion e Mitch Leigh, 1965, em versão de Chico Buarque e Ruy Guerra, 1972), Alô, Dolly! (Hello, Dolly!) (Jerry Herman, 1964, em versão de Haroldo Barbosa e Victor Berbara, 1965) e Eu dançava assim (I could have danced all night) (Alan Jay Lerner e Frederick Loewe, 1956 em versão de Victor Berbara, 1963) soa déjà vu para quem acompanha assiduamente a trajetória de Bibi Ferreira nos palcos. Mas quem se importa? E quem resiste à sedução das músicas e da interprete?

Bibi é uma atriz tão versátil e plural que virou também uma estrela da canção. É a vida dessa estrela que é repassada em Bibi – Histórias & canções. Funciona, porque o espetáculo é a simples presença da fenomenal Bibi Ferreira em cena. (Cotação: * * * * *)

(Créditos das imagens: capas do CD e DVD Bibi – Histórias & canções. Direção de arte de Felipe Taborda. Design de Augusto Erthal. Bibi Ferreira em fotos de Flávio Charchar)

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